sábado, 19 de novembro de 2011

Tempo

Na noite passada descobri
que jamais ia recuperar nada do tempo desperdiçado.
Em todos esses anos, morri todas aquelas vezes que fiz o que queriam que eu fizesse, que fiz o que devia fazer e que não errei como eu queria errar.
Essas pequenas terríveis mortes,
como elas doem.

E a dor, não passa de um puta
de luxo,
daquelas que cobra caro, nos cobra o tempo
e sente prazer em fazer isso.

Eu não ia me perdoar jamais pelos dias perdidos, fudidos, chorados e doídos.
Menos perdões ainda, teriam aqueles dias em que: sorri, sem ter achado a menor graça, ou os que mantive a calma querendo gritar, os que não escrevi, os que não li e principalmente os que não amei.
Sabe essa culpa de não ter vivido o que se queria viver?

Não há remédio para a culpa do tempo e do ser.
Não funcionam os planos, nem as análises e muito menos as 3 pílulas lícitas após o café da manhã.
Não quero saber mais o que deveria fazer.

Liberdade só rima com brincar de Rimbaud.

Larguei toda culpa, toda morte e toda dor.
Enterrei aqui, nessa terra onde eu não consigo fazer nascer mais nada.
Fui ver o mundo.
Fui cometer uns erros.
Fui sorrir sem pudores
Fui Olhar nos olhos da vida,
lhe beijar a boca e dizer: - Eu te amo.

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