terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sobreviventes

Eu tinha canetas, papéis e inspirações suficientes para escrever a história da menina que tinha um dragão em seu estômago.
No final a história era mesmo sobre esse réptil de tamanho reduzido, que num mundo como o da menina onde armas e homens de bem andavam juntos, só desejava perder todos os sentidos. Dessa forma, o animal irritado era dito como resposável por todas as frequentes crises de náuseas que ocupavam o dia e a noite da menina.
Mas não podemos julgar apenas o pobre bicho que nem deste mundo era. A menina era em muito culpada por sua situação, afinal, se engoliu um dragão que nem pertencia a esse planeta, era porque de alguma forma não conseguia ser também de um mundo que nem os dragões suportam sentir.

Essa história poderia ter sido escrita na íntegra, mas não foi, são apenas pedaços. Em pedaços também estão: a história do homem mais aconchegante do mundo, com suas várias poltronas tatuadas no peito a próprio punho e a que descreve a foto da minha viagem até o planetinha do Pequeno Príncipe, onde tomei chá de pimenta-turquesa com Ziggy Stardust e todas as aranhas de Marte.

Todos esses relatos foram parcialmente perdidos e ainda me restam canetas, inspirações e papéis vazios.
Vazios como os ventos lá fora, que culminam num tal qual vazios os ventos aqui dentro.

PS: Os pedaços só foram recuperados após uma dessas sérias conversas de bar, onde alguém de forma sábia e alegre perguntou: " Como nós sobrevivemos?"
Naquele ponto eu realmente não sabia se aquilo tinha alguma relação com os atentados na Noruega ou com a morte de Amy Winehouse, mas enfim "SOBREVIVEMOS", então os nossos pedaços devem sobreviver também.

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