Foi entre fim de 2007 e início de 2008, eu tinha 14 anos e li "Memórias de minhas putas tristes", minha primeira leitura de um Gabriel García Márquez. Apesar de idade e tamanho de Delgadinha, desde o primeiro instante incorporei no velho Jornalista e ainda hoje, às vezes lembro dele falando e repito por aí: - "Quando meus gostos musicais entraram em crise me descobri atrasado e velho, e abri meu coração às delícias do acaso."
Não muito tempo depois, eu e dois amigos estávamos, na cerimônia de um casamento, conversando sobre aquele que agora (mais íntimo) já era o Gabo, quando de repente um senhor de cabelos brancos, que estava sentado no banco à nosso frente, nos olha e ao invés de um óbvio pedido de silêncio, sorri e pergunta já afirmando: "Algum de vocês já leu "Crônica de uma Morte anunciada"?! Acho fantástico!". A partir daí a conversa se estendeu e eu jamais saberei a cor do vestido da noiva, mas o porquê das borboletas amarelas representando sempre a morte na obra de García Márquez, nós quatro conseguimos encontrar milhares de explicações.
Naturalmente o segundo livro dele que li, foi Cem Anos de Solidão. Sempre que me perguntam eu digo que gosto dele, mas só gosto também. Apesar de achar fundamental para entender outros livros do GGM que por muitas vezes apresentam alguma relação, nem que seja sutil, com os acontecidos em Macondo.
"Do amor e outros demônios" foi uma paixão intensa, eu conotativamente o comi em um dia. Imaginei: cada cena nos seus mínimos detalhes, as mil maneiras de conseguir tanto cabelo para montar a personagem de Sierva María de Todos los Ángeles, porque naturalmente eu iria adaptar o livro para o cinema. Dias atrás descobri que o filme já existe, mas não passou nos cinemas brasileiros e não encontrei para download, então ainda guardo minhas anotações sobre como conseguir tamanha quantidade cabelo.
Seria uma estragação de texto desnecessária mencionar cada um dos livros de GGM que li, portanto vou direto aos que eu gostaria realmente de compartilhar.
Compartilhar me lembra "O amor nos tempos do cólera" porque já dei ele de presente para os mais diversos amigos nas mais diversas ocasiões. Ele é puro amor, O AMOR de 51 anos, 9 meses e 4 dias e "Era inevitável: os cheiros das amêndoas amargas lhe lembrava sempre o destino dos amores contrariados" dava para ouvir "Eu te amo" do Chico Buarque no fundo do livro. Mas não se enganem pensando em idealismos amorosos, porque uma das grandes pérolas do Gabito dessa história é, com toda certeza, a infeliz verdade que: "a gente vem ao mundo com as trepadas contadas, e as que não se usam por qualquer motivo, próprio ou alheio, voluntário ou forçado, se perdem para sempre".
"Viver para contar" foi um dos últimos que li, o livro das memórias de Gabriel García Márquez. É uma vida inteira contada, a obra literária do Gabo, inteira, aberta e com certeza é um dos livros culpados por eu ter escolhido o curso de jornalismo.
Apesar de tantas memórias, Gabriel García Márquez nunca morou na minha estante. Brinco que tive diversos casos com ele, porque quando as histórias acabavam teria que devolver o livro para quem havia me emprestado. Mas isso foi só até essa última quarta-feira, 17 de agosto de 2011.
Um daqueles dias de vento quente, era por volta das 13:17 hs, que me foram entregues pela mão de uma amiga, enrolados caprichosamente em plástico-bolha os dois volumes de "Textos do Caribe". Esses deixaram de ser só meramente casos, comprei, são meus, moram comigo! Mas comprei usados, já foram de vários outros que eu desconheço, porque se não, depois de tanto tempo e tantas histórias, não teria menor graça me deparar com um Gabriel García Márquez virgem.
0 comentários:
Postar um comentário