segunda-feira, 16 de maio de 2011

Jamais deixem a música parar!

"Em épocas passadas as coisas eram lisas, não sei explicar como e que coisas, mas eram lisas, se voltassem a ser lisas eu parava de pensar que tudo ia ficar melhor quando as coisas voltassem a ser lisas" (Trecho de "Cartas Imaginárias que ninguém recebeu" - Livro nunca publicado que se perdeu completamente por entre os pensamentos da autora.) 


Angela vestiu suas velhas calças, já mais justas do que pretas, colocou também uma camiseta daquelas recortadas na gola e sentiu-se com 13 anos novamente. O tempo dava ares de sexta -feira, os ponteiros indicavam que já passavam das duas da tarde e em breve as garotas estariam lá.

A campainha toca, quando Angela abre a porta, garotas que mais se parecem com vulcões adentram a sala, uma delas abraça e logo rouba uma tragada do cigarro que havia entre os dedos de Angela, enquanto a outra ri e multiplica garrafas de dentro de sua bolsa. Uma das garotas torce o botão do volume e deixa a música retumbando, um velho rock n' roll que aos poucos recriava os anos 70.

Angela vai até a janela, acende outro cigarro, e se pergunta se tem alguma razão naquilo, se pergunta o porquê dos dias passarem se repetindo sucessivamente, nada mudava, ela não tinha amores, não tinha objetivos, era uma guerra diária entre o ócio e a inércia. Mesmo assim ela sempre tentava fazer algo, mas no fundo voltava pra aquele passado das músicas dela...

As horas passavam e todas elas já sentiam o brilho do inferno, Angela só sabia que estava viva quando sentia os pulmões queimando a cada tragada, o seu coração batia ao timbre da música e a impressão que dava é que quando a guitarra parasse ela parava também, então a única regra era jamais deixar a música parar.

PS: Texto escrito e publicado originalmente na sexta-feira de 21 de novembro de 2008, a autoria também é minha.

1 comentários:

Acervo Café Frio disse...

Pronto. Te achei. E achei também bons textos. bjos