quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Um cartão postal do Sri Lanka?!

O início foi num ponto entre meus olhos e o teu nariz,
onde a tua boca achou a minha e eu me perdi.
E por acaso, noite dessas, que é inverno mas faz calor, tu, mais por acaso ainda: aqui.
A Indepência, e a República, derrubar a hipocrisia, ser livre, o rock n' roll, a vodka e tu dizia, mandava eu entender que eu ia ser um sucesso, porque eu era ímpar e eu fazia um brinde e dizia "ao nosso sucesso" e parava com tanto clichê e te mandava sorrir, te mandava me cantar um blues me contar alguma coisa, fazer as horas durarem, matar a saudade dos teus 32 dentes, tua língua, voz, loucura, corpo e cheiro.
Já eram 4 horas,
4 horas  com vodka,
4 horas contigo, 
Aí eram as 4 horas pra te ver ir embora de novo, te dar tchau, aquela sensação estranha de sempre: de que tu vai pra sempre...
Eu te dando desculpa de fechar a porta, repetindo algumas vezes que vou sentir saudades, me atrapalhando toda enquanto aqui dentro tocava Tatuagem do Chico, e aqui fora o teu abraço forte, apertado, doía de um jeito tão bom, é assim se misturaram coração, nó na garganta e língua. E ali no teu ouvido, eu, curta e grossa disse "Eu te amo pra caralho, mesmo...", podia ter sido mais ensaiado, e ter soado só como aquele trecho do Caio que diz "que aconteça uma coisa bem bonita pra você, me deseja também uma coisa bem bonita", mas sinceridade não se ensaia, principalmente quando era segredo.
E então a música parou
e eu não ouvi mais nada,
nem aqui dentro, nem aí fora,
não quis olhar para as tuas costas,
fiquei olhando pro nada,
precisando escrever,
precisando esquecer...  

2 comentários:

Ana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana disse...

Lindo, lindo, lindo.
Tuas palavras são fortes e objetivas e me impressionaram. Me encantei muito, e em especial, por essa história.

Lindeza pura :)