Esta é a breve história de como Jorge Aurélio Epífaro acabou viciado em batons cor de ameixa nº 5 da ex (talvez) namorada que fugiu com um ativista hippie vegetariano para Amsterdam.
A trama começa numa “balada” paulistana, com Jorge, 23 anos, que recém acabara um relacionamento de 4 anos que teve com a primeira namorada. O lugar era repleto de luzes coloridas que não deixavam ver um palmo na frente. Jorge, que havia sido deixado, não se importava. Tomava ali o primeiro porre de sua vida e sentia-se confiante o bastante pra dançar o eletronic-psy-trance que complementava a sensação de embriaguez. Sentia-se tão bem que foi até o meio da pista e, de súbito, sentiu duas mãos macias deslizarem pela sua nuca, voltou-se na direção delas e deu um beijo estralando na garota de vestido curto preto e saltos muito (mas muito) altos. Jorge nunca tinha visto um beijo daqueles. Viu estrelas, nuvens, luas, viu tudo mesmo naquela escuridão e concluiu que aquilo sim era amor, não os 4 anos que passara com Lúcia Gabriela. Maria Isabel, ou melhor, Bebel, que era como gostava de ser chamada a garota de 20 anos recém feitos,que já estava sem o batom ameixa nº5 nos lábios e pedia pra Jorge lhe levar para algum lugar fora dali. Jorge ainda sentindo-se confuso, levou-a pra casa e aí já sabemos o que Jorge não sabia. Ela mostrou pra ele do kama sutra ao tântrico com toda a irreverência de uma ex- punk de boutique (agora alternativa até os ossos), fazendo as luas, estrelas e tudo mais aumentarem a cada beijo.
O romance se tornou namoro. Bebel até se mudou pro flat de Jorge, pois ele dizia não conseguir viver sem ela. Era um beijo, e as nuvens, as luas e tudo mais voltavam pra ele. Ele tinha que parar tudo que estivesse fazendo pra ficar ao lado de Bebel, que retocava o batom e dizia ver as tais luzes, luas, nuvens e tudo mais também.
O namoro acabou tragicamente quando Jorge descobriu o caso que Bebel mantinha com um
holandês ativista hippie vegetariano, e então, ele terminou tudo com o propósito de esquecer Bebel. Os dias iam passando, e depois de um mês parecia crise de abstinência o que sentia no escritório. Queria tanto as luas, as luzes, as nuvens, os sóis e ele, que nunca bebia, ficou uma semana bebendo. Fumou sem tragar, pois tinha asma, e então, ligou para Bebel tremendo, dizendo o que estava acontecendo, que a queria de volta e que precisava do seu amor, das luzes, os sóis, enfim, vocês entenderam. Ela riu no telefone e contou-lhe que não era de amor que ele precisava, mas era do batom que ela usava sem parar (o batom ameixa Nº5 continha compostos lisérgicos e era famoso nas baladas mais moderninhas de Amsterdam).
Hoje Bebel e Jorge são amigos. Ela mora em Amsterdam com o holândes, abriu uma loja de tulipas e todo mês manda o batom ameixa Nº5 que Jorge não consegue viver sem.
2 comentários:
Guria, adorei o blog. Tu escreve bem pacas.
gostei muito dos teus textos. edito pontodevista.jor e no twitter editorwu.trabalho, algumas vezes associando fotos a um texto ou o inverso. nesse momento estou hopitalizado em função de um acidente de moto.
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